20/12/2019 às 16:46 - Atualizado em 20/12/2019 às 17:36

Endividamento das famílias se mantêm estável no mês de novembro

O comprometimento da renda com o pagamento da dívida caiu entre outubro e novembro
Pixabay O comprometimento da renda com o pagamento da dívida caiu entre outubro e novembro

Em novembro, o percentual de famílias endividadas permaneceu relativamente estável frente ao mês anterior e alcançou 61,5% (frente a 61,7% em outubro). A despeito da estabilidade, a composição do endividamento mudou. O percentual de pouco endividados aumentou 2 p.p. na passagem entre outubro e novembro (de 21,8% para 23,8%), enquanto a proporção de muito endividados caiu 0,8 p.p. (de 17,2% para 16,4%) e mais ou menos endividados (de 22,8% para 21,3) diminuiu 1,5 p.p.

O grupo dos endividados que ganham até 10 salários mínimos manteve-se estável em 65,2%, enquanto o endividamento entre os que ganham mais de 10 salários mínimos caiu 1 p.p.

A dívida no cartão de crédito, que historicamente é a mais contraída entre as famílias, foi citada em novembro deste ano por 72,6% dos endividados, muito acima da segunda modalidade de dívida mais citada, os carnês (14,5%). O cheque especial foi citado por 10,1% das famílias.

No último dia 27, o Banco Central anunciou que os juros cobrados pelos bancos sobre o cheque especial não poderão ultrapassar 150% ao ano, a partir de janeiro de 2020, o que trará alívio para o orçamento das famílias mais pobres. Em outubro, último dado disponível, a taxa de juros paga por quem contratou o cheque especial foi igual a 305,9% ao ano.

O comprometimento da renda com o pagamento da dívida também caiu entre outubro e dezembro e anotou 26,1% (frente a 27,4% em outubro). A queda pode refletir dois movimentos observados no mercado de crédito. Em primeiro lugar, a ampliação do prazo médio de pagamento do crédito contratado: o aumento do número de parcelas diminui o peso da dívida no orçamento das famílias. Em outubro, o prazo médio foi igual a aproximadamente 42 meses (contra 41 meses em setembro) para as concessões de crédito com recursos livres realizadas em outubro.  Em segundo lugar, a queda recente da taxa de juros cobrada ao consumidor final, que também pode ter trazido um alívio no pagamento da dívida (queda de 51,3% a.a. para 49,7% a.a. nas operações de crédito com recursos livres para as famílias realizadas em outubro).

Os quatro cortes na taxa básica de juros realizados em julho, setembro, outubro e novembro dezembro somados à liberação dos recursos do FGTS, disponíveis para clientes que não são da Caixa Econômica Federal, a partir da segunda quinzena de outubro, deverão atuar para reduzir ainda mais a proporção da renda direcionada para o pagamento das dívidas.

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Pesquisa PEIC - RJ - novembro de 2019 | Download