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 Home > Publicações  >  Revista Conexão  >  Edição 22 - novembro 2007

Moda alternativa

Desde que um comerciante chamado Belchior abriu a primeira loja de artigos de segunda mão, que levava seu nome, no Rio de Janeiro do século 19, esse tipo de comércio, que, por corruptela, foi denominado brechó, se tornou usual na cidade. Estima-se que hoje existam mais de 20 lojas do gênero, somente na Zona Sul, que trabalham com peças semi-novas, antigas ou raras, como as vintage, que designam o vestuário usado em décadas passadas. E há novidades nesse nicho. São os brechós chiques, para adultos e crianças, e os que agregam opções de cultura e lazer. Eles surgiram da demanda de consumidores exigentes e de alto poder aquisitivo que buscam artigos que não se encontram em qualquer lugar, mas com preços convidativos.

Atentas à abertura dessas lojas, a designer Vanessa Fogel e a ex-dona de casa Johanna Sinclair, a Nana, inauguraram, há cerca de um ano, dois novos brechós infantis, respectivamente o Adoleta, em Ipanema e o Dona Joaninha, em Copacabana. “Pesquisei o mercado de Ipanema e descobri que havia muita oferta para adultos e nenhuma para crianças. Decidi apostar e abri o Adoleta, na Rua Visconde de Pirajá, que tem como diferencial a aparência de butique”, conta Vanessa.

Ex-comissárias de bordo, as amigas Nazareth Cavalcanti e Márcia Simões freqüentavam brechós no exterior. Desse hábito veio a idéia de criar um novo estilo de loja e, há um ano, abriram o Bello Brechó, na sobreloja de um tradicional edifício comercial em Ipanema. “Descobrimos que não havia na região um brechó chique, onde as pessoas tivessem conforto em um ambiente refinado, como gostamos”, explica Nazareth, que destaca no interior da loja uma bolsa Louis Vuitton, com aparência de nova, por R$ 200. O preço dos sapatos expostos sob as araras, onde podem ser encontradas peças de Valentino, Versace, Mariazinha e Elle et Lui, variam entre R$ 30 e R$ 60. Vestidos, nacionais e importados, custam entre R$ 90 e R$ 200.

A nova geração de brechós não exclui os tradicionais, alguns estabelecidos nos mesmos endereços há mais de 20 anos. A clientela se mantém fiel, ainda que eles tenham preservado a aparência e o estilo. É o caso do Tralhas e Trecos e do Antigamania, em Ipanema, freqüentados pela corretora de imóveis Valéria Guimarães. “Venho sempre garimpar novidades porque gosto de um estilo diferenciado. Roupas e acessórios antigos fazem toda a diferença no visual”, explica.

O Só Traças, aberto há 15 anos em Botafogo, é uma prova da pujança desse comércio. A proprietária Het de Carvalho não teve outra saída, a não ser ampliar, pela segunda vez em menos de cinco anos, o espaço do brechó, instalado na sobreloja de um edifício comercial. Het mostra, entusiasmada, a terceira loja que alugou, cuja obra está sendo finalizada e já dá mostras de que seguirá a tendência das butiques: decorada com sofisticação, num ambiente clean, modernas luminárias e ampla vitrine, onde serão expostas as peças de vestuário mais novas e de maior valor, que hoje não têm destaque por falta de espaço.

Essa nova geração de brechós não agrada apenas aos consumidores. Como rezam os manuais da boa administração, um negócio é considerado bom quando todos saem ganhando. No caso dos brechós, além do cliente final e do comerciante, os fornecedores dos artigos que são deixados em consignação também são beneficiados. Carla Holtz, fornecedora do Dona Joaninha, viu no brechó infantil a oportunidade de se desfazer de roupas e objetos sem uso que a filha Ana Júlia ganha das tias que moram no exterior. “Além de desocupar os armários, faço economia, já que com o dinheiro obtido com a venda das peças posso comprar outras coisas das quais minha filha precisa. Acho a idéia bárbara e o brechó é lindo, parece uma butique, dá gosto ir lá.”

Nazareth, do Bello Brechó, conta que há dias em que precisa recusar peças, mesmo que estejam em perfeito estado. “Nosso espaço é reduzido e a proposta é manter tudo organizado, não dá para ter tanta mercadoria ao mesmo tempo, senão perdemos esse diferencial.” Aberto há menos de um ano em Laranjeiras, o brechó Desculpe, Eu Sou Chique, do empresário e produtor cultural Carlos Sávio, aposta na mistura de cultura e lazer com comércio de roupas e objetos vintage, consagrada pelos antiquários da Rua do Lavradio, no Centro.

No charmoso sobrado da Rua Alice, uma turma garimpa peças e acessórios que marcaram épocas específicas, roupas semi-novas de grifes famosas e objetos de arte e decoração. O público, composto, em sua maioria, por produtores de teatro, TV, cinema, DJs, atores e fashionistas, tem a opção de tomar um drinque, assistir a shows musicais e até espetáculos teatrais circulando por um mobiliário datado e muito  bem conservado, como as poltronas e mesinhas pés-de-palito com estofamento original.



No segundo andar da casa funciona, de quarta a sábado, um bar-bistrô que faz jus ao nome do espaço. “Essas pessoas estão atrás de novidades para suas produções artísticas ou para compor um visual diferente. Muitos casais vêm aqui garimpar objetos raros para decorar suas casas”, relata Sávio, que quer mudar o pensamento dessa nova geração de consumidores. “O brechó tem um conceito muito mais amplo do que o de um lugar onde se encontram roupas e objetos antigos. É o local ideal para pessoas que querem conservar o passado de uma forma sofisticada, num mundo onde a tecnologia impera.”

Para abrir um brechó, o empresário necessita de um investimento proporcionalmente menor do que o exigido para uma butique tradicional, porque não há necessidade de aquisição de mercadorias. Porém, criar um ambiente propício para esse tipo de comércio e quebrar a resistência de consumidoras que não gostam da aparência dos brechós tradicionais, têm seu preço.
 
As proprietárias da Adoleta e do Bello Brechó escolhem as mercadorias que serão vendidas nas lojas e depois higienizam tudo, num processo que necessita de equipamento especial de vaporização, e no qual as roupas já saem limpas e passadas, sem resquício de mofo ou outros microorganismos. “A higienização é fundamental nesse negócio, principalmente para quem trabalha com peças infantis. Aumenta o custo do negócio, mas vale a pena. As roupas ganham a aparência de novas e as mães levam para casa tranqüilas”, diz Vanessa, da Adoleta.

Serviço

Desculpe, Eu Sou Chique
Rua Alice, 75, Laranjeiras
Tel.: 2225-6059

Bello Brechó
Rua Visconde de Pirajá, 303,
sobreloja 218, Ipanema
Tel.: 2227-1838

Só Traças
Rua Voluntários da Pátria, 445,
lojas 203/204 e 209, Botafogo
Tel.: 2539-8938

Antigamania
Rua Visconde de Pirajá, 444,
sobreloja 207, Ipanema
Tel.: 2247-2176

Tralhas e Trecos
Rua Visconde de Pirajá, 330,
loja 307, Ipanema
Tel.:  2267-6796

Dona Joaninha (infantil)
Rua Santa Clara, 33,
sala 906, Copacabana
Tel.: 3208-2046
www.donajoaninha.com.br

Adoleta (infantil)
Rua Visconde de Pirajá, 550,
loja 314, Ipanema
Tel.: 2294-0448
www.adoletabrecho.com.br

Eu Amo
Aos domingos:
Feira de Antiquários
da Gávea (das 10h às 18h) 
Praça Santos Dumont, Gávea
Tel.: 8104-2077 e 9994-4498





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